O Despertar da Voz Feminina em Moçambique: Conheça “Balada de Amor ao Vento”

Primeira mulher africana a vencer o Prêmio Camões, Chiziane é uma força da natureza na escrita contemporânea.

Se você acompanha o mundo literário, o nome Paulina Chiziane certamente já cruzou seu caminho. Primeira mulher africana a vencer o Prêmio Camões, Chiziane é uma força da natureza na escrita contemporânea. Mas para entender a magnitude de sua obra, precisamos voltar ao início: “Balada de Amor ao Vento”.

Balada de amor ao vento

Publicado originalmente em 1990, este livro não é apenas uma história de amor; é um marco histórico por ser o primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique. Recentemente, a obra ganhou ainda mais destaque ao entrar na lista de leitura obrigatória da Fuvest.

A Trama: Entre a Paixão e a Tradição

A história gira em torno de Sarnau e Mwando. O cenário é a beleza das paisagens moçambicanas, onde o amor nasce de forma avassaladora. “Tudo começa no dia mais bonito do mundo”, narra a obra, descrevendo o momento em que Sarnau se entrega a esse sentimento.

No entanto, o romance está longe de ser um conto de fadas convencional. O que acompanhamos é uma jornada de:

  • Encontros e desencontros: Mwando abandona Sarnau, retorna e parte novamente, deixando-a em um ciclo de espera e autodescoberta.
  • Conflitos culturais: O livro explora as tensões entre o desejo individual e as imposições de uma sociedade conservadora e patriarcal.
  • A condição feminina: Através da voz poética de Sarnau, mergulhamos nas dores e renúncias de mulheres que vivem sob o regime da poligamia e da submissão.

Por que ler este livro hoje?

1. A semente de “Niketche” Se você já leu (ou quer ler) o clássico Niketche: Uma História de Poligamia, vai perceber que os temas de resistência e a alma feminina moçambicana começaram a ser lapidados aqui.

2. Prosa Poética e Espiritual Paulina Chiziane não escreve apenas fatos; ela escreve sensações. A leitura é fluida, musical e profundamente espiritual, tratando o amor como uma força que “é devorada por feitiços destruidores”, como bem define a escritora Jarid Arraes.

“Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.” – Um lembrete potente da obra sobre a resiliência feminina.


Balada de Amor ao Vento é uma leitura que sopra como o vento do título: às vezes suave e romântica, outras vezes cortante e reveladora. É um convite para conhecer Moçambique através dos olhos de quem o sente na pele.

Você já conhecia o trabalho da Paulina Chiziane ou está começando agora por conta do vestibular? Me conta aqui nos comentários!

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