Entregáveis no PIPE FAPESP são os resultados tangíveis de cada atividade de pesquisa, associados a um nível de TRL pretendido. Não são o produto comercial final, mas os marcos que demonstram o progresso da pesquisa: dados experimentais, protótipos de bancada, relatórios de análise, algoritmos validados ou formulações caracterizadas. A FAPESP exige que cada entregável corresponda à “finalização da respectiva tarefa ou atividade” e sirva como ponto de controle para acompanhamento do projeto.
Entregável ≠ Produto final
O entregável de pesquisa demonstra que uma incerteza foi investigada. O produto final é o resultado da aplicação comercial de todos os entregáveis em conjunto. No PIPE, a FAPESP financia os entregáveis — a empresa desenvolve o produto. Confundir os dois é um erro recorrente: proponentes que descrevem o produto comercial como entregável do projeto sinalizam ao assessor que não há pesquisa em curso, apenas desenvolvimento de produto.
Exemplos de entregáveis por tipo de projeto
| Tipo | Entregável TRL 3 | Entregável TRL 5 | Entregável TRL 7 |
|---|---|---|---|
| Software/IA | Algoritmo de PoC com dados sintéticos | Versão alfa integrada, testada com dados reais | Versão beta com piloto em 5 clientes |
| Hardware/Dispositivo | Protótipo de bancada funcional | Protótipo miniaturizado, testado em ambiente simulado | Protótipo de campo testado em condições operacionais |
| Biotec/Química | Síntese + caracterização de compostos | Ensaios in vitro / testes funcionais | Formulação estável + ensaios em escala piloto |
| Processo industrial | Processo validado em escala de bancada | Processo validado em escala piloto | Processo validado em escala semi-industrial |
Como associar entregáveis a métricas de TRL
Cada entregável deve responder: “Que evidência concreta demonstra que avancei de TRL X para TRL Y?” A resposta deve ser específica e verificável. Por exemplo, para avançar de TRL 3 para TRL 4: “Conjunto de dados experimentais de 5 rodadas de síntese, com caracterização por MEV, DRX e análise de BET, demonstrando reprodutibilidade de distribuição de tamanho (<15% variação) e área superficial específica >200 m²/g.” Essa especificidade é o que distingue um projeto sólido de um genérico.
A regra dos entregáveis intermediários
A FAPESP acompanha projetos por meio de relatórios parciais. Projetos sem entregáveis intermediários bem definidos dificultam esse acompanhamento e podem ser interpretados como falta de planejamento. A boa prática é ter pelo menos um entregável a cada 2-3 meses de projeto, correspondendo a uma evolução verificável no TRL.
Erros comuns na definição de entregáveis
Entregáveis vagos: “Relatório final” ou “protótipo desenvolvido” não dizem o que foi alcançado nem como verificar. Todo entregável precisa de critério de aceitação.
Entregáveis administrativos: “Ata de reunião com parceiros”, “apresentação para investidores” — esses são marcos de gestão, não de pesquisa.
Não associar entregável a TRL: Sem ancoragem em TRL, o assessor não consegue avaliar se o projeto está progredindo adequadamente na maturidade tecnológica.
Entregável = produto final: “Software em produção com 100 usuários” como entregável de Fase 1 indica que a pesquisa já foi concluída antes do projeto começar — ou que não há pesquisa.
Perguntas Frequentes
Posso ter entregáveis negativos (experimento que não funcionou)? Sim, e isso é cientificamente válido. Demonstrar que uma abordagem não funciona é um resultado de pesquisa legítimo, desde que o aprendizado seja documentado e sirva de base para a próxima etapa.
Quantos entregáveis devo ter por projeto? Não há número fixo, mas projetos Fase 1 (9 meses) tipicamente têm entre 6 e 12 entregáveis. Projetos Fase 2 (24 meses) costumam ter entre 15 e 25. O critério é que cada incerteza técnica gere pelo menos um entregável verificável.
Entregáveis precisam ser físicos? Não. Datasets experimentais, modelos computacionais validados, relatórios de análise com dados primários e protocolos de teste documentados são todos entregáveis legítimos.
Fonte: FAPESP. Anexo 1 — Orientações e Modelo: Projeto de Pesquisa para Inovação. Programa PIPE, seção 6e.


