A equipe de pesquisa é um dos critérios centrais de avaliação do PIPE FAPESP. Os assessores avaliam: a experiência do Pesquisador Responsável (PR), a adequação dos demais membros da equipe ao projeto, e a experiência prévia da equipe em pesquisas conjuntas. A titulação acadêmica não é requisito essencial — “a experiência profissional e capacitação técnica são primordiais.” O que importa é demonstrar que a equipe tem as competências técnicas necessárias para conduzir a pesquisa proposta e que há complementaridade de habilidades.
Papéis na equipe PIPE
| Papel | Definição | Requisitos |
|---|---|---|
| PR (Pesquisador Responsável) | Coordena o projeto e responde perante a FAPESP | Vínculo com empresa, ≥24h/semana, residir em SP |
| PP (Pesquisador Principal) | Pesquisador essencial para o projeto | Excelente histórico, participação bem especificada |
| PA (Pesquisador Associado) | Contribui em partes específicas do projeto | Responsabilidade claramente definida |
| Bolsista PE | PR em empresas de baixo faturamento | Dedicação exclusiva (40h), máx. 2 por projeto |
| Bolsista TT | Profissional de apoio técnico | TT-1 a TT-5, com plano individual de atividades |
| Consultor | Especialista de curta duração | Incluído na equipe, até 10% do orçamento |
| Coordenador junto à empresa | Garante condições de pesquisa na empresa | Sócio ou funcionário com poder de decisão |
O que o assessor realmente avalia sobre a equipe
Track record do PR: patentes depositadas, produtos desenvolvidos, projetos anteriores concluídos, publicações — a ordem de importância varia conforme a área do projeto.
Coerência: a formação e experiência da equipe está na área do projeto? Um biólogo conduzindo pesquisa em semicondutores sem justificativa de complementação técnica é um sinal de alerta.
Complementaridade: as disciplinas necessárias para o projeto estão cobertas? Um projeto que exige competências em química, engenharia mecânica e software precisa ter essa cobertura na equipe ou em consultores.
Dimensionamento: a equipe é suficiente para o escopo proposto? Uma Fase 2 com 8 workpackages e 1 único pesquisador é implausível.
A Bolsa PE — quando solicitar e quando não solicitar
A Bolsa PE remunera o PR em regime de dedicação exclusiva (40h semanais) e é destinada a empresas de baixo faturamento onde o PR não consegue ser remunerado pela própria empresa durante o projeto. Para empresas com faturamento significativo, a FAPESP espera que a empresa remunere o PR diretamente — solicitar Bolsa PE nesse contexto pode ser questionado pelo assessor. A bolsa não é salário CLT: não gera vínculo empregatório com a FAPESP.
Consultores acadêmicos — como incluir sem terceirizar a pesquisa
A pesquisa deve acontecer na empresa. Consultores e laboratórios acadêmicos complementam competências ou realizam análises que a empresa não tem condições de executar internamente. O limite é claro: “Em hipótese nenhuma serão concedidos serviços de terceiros que impliquem em terceirização da atividade de pesquisa para inovação.” Se o consultor acadêmico está conduzindo a parte central da pesquisa e o PR está apenas gerenciando, há risco de denegação.
Como apresentar a equipe de forma convincente
O currículo do PR deve ser adaptado para o contexto: enfatize experiência técnica relevante, projetos conduzidos e resultados alcançados — não apenas formação acadêmica. Para cada membro da equipe, descreva explicitamente: qual atividade do projeto essa pessoa vai executar, por quantas horas por semana, e por que essa pessoa especificamente tem as competências para isso.
Perguntas Frequentes
O PR pode ser o próprio fundador da startup? Sim. É comum e aceitável. O que a FAPESP verifica é se o fundador-pesquisador tem as competências técnicas para conduzir a pesquisa proposta, não apenas para gerir o negócio.
Posso incluir um professor universitário como consultor? Sim, desde que a atuação dele seja complementar e não central. O professor pode realizar análises específicas (ex: caracterização por técnicas disponíveis apenas na universidade) mas não pode ser o responsável pela condução da pesquisa.
A equipe pode mudar durante o projeto? Alterações na equipe são possíveis, mas precisam ser comunicadas e aprovadas pela FAPESP. Mudanças no PR especificamente requerem aprovação formal.
Fontes: FAPESP. Formulário de Parecer — PIPE Fase 2, itens 2.1-2.3. | FAPESP. Normas do Programa PIPE, seções 5.1 e 8.1.



